terça-feira, 22 de maio de 2007

deep inside...


encontrei um rapaz, sentado descontraidamente, abraçando as próprias pernas, no topo de uma pedra, sólida rocha, na cabeceira de uma cachoeira graciosamente desenhada para entoar o voz das águas... estava pensativo e com os olhares bem distantes. resolvi observá-lo, e tentar definir o que cada olhar queria dizer.

respirou profundamente.

é muito fácil, quando escutamos uma pessoa falar, tentar dizer o que ela pensa. engano! as vezes falamos muito e não existe um mínimo de exteriorização do que se passa. e quando se está pensativo... aaahhh. impossível, são milhões de imagens e idéias que passam pela mente do mais simples ser pensante. não necessariamente palavras, pois elas nem sempre refletem o que a cognição quer dizer. whatever!

observar.

lá no fundo esse rapaz estava pensando em muitas coisas ao mesmo tempo. principalmente sentimentos, pois sua vida é um emaranhado de sentimentos. todos são! família, amigos, garotas... ahh... garotas não! mulheres! as garotas a tempos não deve lhe fazer a cabeça. deve ter ultrapassado a adolescência. sorriso jovem, olhar de razão que os anos não lhe pouparam experiência. provavelmente suas desilusões com a imaturidade foram maiores do que suas aventuras desprovidas de sentimento.

olhou as nuvens e sorriu.

as lembranças são o que de melhor ele guarda. talvez o que tenha ate então construído seja significativo, talvez goste de guardar pela simples recordação de que a felicidade se compõe de um mosaico de momentos. não. acho que ele olhou muito além das nuvens. certamente não pretendia encontrar algo, mas construiu algo além do que seus olhos pudessem enxergar.

sonhador.

não alcançou o infinito, mas certamente pensou em correr ou nadar até lá. seu próximo passo, provavelmente, será gritar "um, dois, três e já!". foi. o importante não é apenas acreditar que irá chegar, e sim chegar lá. planejar faz parte do seu momento de fechar os olhos. planeja enquanto sente a brisa acariciar-lhe o rosto. de olhos fechados, sentindo o impacto do vento apenas como fenômeno de um planeta que gira e lhe faz sentir que está em algum ponto de um eixo imaginário, mas real.

despertou.

percebeu que era observado. tentou disfarçar. olhou ao seu redor e procurou algo. um rosto conhecido? alguma paisagem ou árvore perdida no horizonte? procurou algo dentro de si mas que não poderia encontrar se não estivesse sendo observado em sua profunda reflexão. talvez tenha encontrado no pé da cachoeira, pois para lá fixou o olhar. a arrebentação soava-lhe como instrumento de graves acordes. piscou várias vezes de forma descansada, deixando, por fim, os olhos cemicerrados a contemplar a força das águas.

saltou.

parecia não ser exatamente o que pretendia, mas lhe pareceu interessante agir espontaneamente (pelo menos foi assim que eu interpretei). não se salta de uma altura considerável a não ser que se saiba o que há logo abaixo. não se salta de uma altura emocionante sem buscar um contraste entre a gravidade externa e a sentida pelo próprio corpo.

foi embora.

mas eu ainda fiquei aqui, pensativo. queria pular novamente, mas faltava um objetivo. estaria apenas querendo repetir? ou pularia apenas para saciar minha curiosidade? talvez o ar batesse com mais força no meu corpo desta vez.

acho que estou sendo observado...

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